27 de Julho de 2014

5 Razões que boicotam o seu emagrecimento


   Como vai caro leitor ou leitora?
   O assunto de hoje é, para mim, muito interessante, já que o escuto muito frequentemente:
"Faço dieta, mas não emagreço" ... "Eu nem como fritos!".... "Desde que fui para o ginásio ainda engordei!" ... "Até a água me engorda" ... "Devem ser as hormonas!" ... "Quando era mais nova, bastava não comer um dia"...
Fonte
   Muitas são as frases de quem "dá o máximo" para perder peso sem sucesso, ou que de repente parou de emagrecer. E a nossa questão de hoje é: Porquê?? Quais as principais razões que boicotam um processo de emagrecimento? Enumero de seguida 5:



1. Plano alimentar errado

   Quando não é acompanhado por um dietista num processo de perda de peso é muito provável que cometa erros. Erros esses que comprometem o seu sucesso. São exemplos:
  • Restrição exagerada (de hidratos de carbono, de proteínas, de energia no geral).
  • Má conjugação dos alimentos (alimentos de rápida absorção).
  • Horários das refeições mal distribuídos (Jejum ou comer com frequência?).
  • Introdução de alimentos "supostamente" saudáveis, mas que não o são (ex. bolachas).
  • Permissão exagerada de "dias do erro alimentar".
  • Défice de água e de exercício físico.
    Solução: Procure a ajuda de um profissional. O excesso de peso e a obesidade são doenças que devem ser tratadas por profissionais de saúde. Assim como quando está doente vai ao médico para se tratar, também a perda de peso deve ser encarada da mesma forma, para ser definitiva e saudável.



2. Historial de dietas restritivas
Fonte

   Se já passou por vários processos de emagrecimento durante a sua vida é normal que vá tendo mais dificuldade em emagrecer. O nosso metabolismo é como "um elástico": tanto estica e encolhe, que vai ficando laxo/ largo. Ou seja, não volta ao que era. O nosso organismo faz tudo para "sobreviver": emagrecimentos rápidos, com recurso a medicação, a restrição exagerada ou outra método agressivo, "marcam" o nosso metabolismo. Na verdade, isso é interpretado como um processo de "doença", que o nosso corpo faz de tudo para evitar que o volte a atingir. Portanto, através de variadíssimos mecanismos hormonais, o nosso metabolismo adapta-se e "blinda-se", por forma a não "gastar as suas preciosas reservas de gordura".
   Vão sendo necessários métodos cada vez mais agressivos para obter resultados, o que, como já vimos, é um ciclo vicioso, até ser quase impossível perder peso com métodos menos restritivos.
  A solução não está em aguçar os métodos, mas sim, em parar o ciclo! Tem de parar o iô-iô. Não é por acaso que quem vem pela primeira vez à consulta perde "5kg num mês" e quem já fez "1000 dietas", perde 1-2kg! É claro que também há aqui uma componente comportamental, mas a física é óbvia.
    Por isso pare de se auto-mutilar com "dietas da moda" e mude o seu estilo de vida de vez. Os resultados são lentos, é verdade, mas só com persistência se obtêm os melhores resultados. O segredo está na mudança de atitude perante a perda de peso e, sobretudo, perante a vida.



3. Défice de atividade física

 Este é o chamado "pau de dois bicos".
   É verdade que o exercício físico intenso aumenta o peso. Mas não é gordura! Muito pelo contrário, é água. Se era sedentário e de repente começa a praticar desporto é normal que o seu corpo precise de um "tempo de adaptação".
Fonte
    No primeiro mês é normal que haja uma variação do peso que pode ir de algumas gramas a 1-2kg, dependendo da pessoa e do exercício. A água que o músculo "trabalhado" retém ocupa espaço e pesa na balança. É por esse motivo que não deve valorizar demasiado o peso, como um número absoluto e determinante da sua performance. Deve sim, interpretar a sua composição corporal: poderá ter o mesmo ou mais peso, mas mais peso em água e, certamente, menos peso em gordura (o que é muito positivo!).
    Em conclusão, seja paciente, mantenha o seu exercício, não desmoralize e dê tempo ao seu corpo. Enquanto sentir dores musculares fortes é porque ainda está em processo de adaptação e assim a reter água. Continue!
   Por outro lado, a prática de atividade física pouco intensa, como as caminhadas, pode levar à indulgência (uma falsa sensação de "eu mereço a recompensa"). Não é rara a pessoa que se recompensa por ter praticado exercício, com alimentos. Ou seja, num instante consome mais calorias do que as que gastou. Resultado: nada de bom...Adoro ver aquelas pessoas que andam apressadas no paredão, muito transpiradas e vermelhas, e no final comem um belo gelado para "compensar o esforço" e arrefecer (risos)!
    Pode merecer a recompensa claro! Mas, nunca com comida.



4. Sistema nervoso
Fonte

   Sim é verdade. Não é um mito! O sistema nervoso pode fazê-lo engordar/ não emagrecer. Tudo por causa das hormonas...
   Quando estamos cansados, a dormir pouco, stressados, nervosos, irritados, ansiosos... todos estes estados influenciam o peso.
   Desde logo o descanso é essencial ao equilíbrio hormonal que promove o emagrecimento. Sabia que é durante as primeiras horas de sono (quando este é profundo e reparador) que se produz a hormona do crescimento? Hormona essa responsável pelo gasto de gordura.
   Por outro lado, o stress e a ansiedade favorecem a produção de catecolaminas e mineralocorticóides, dos quais o cortisol (hormona semelhante à "cortisona") que, a longo prazo, promove a retenção de líquidos, a inibição da degradação da gordura e "adormece" o metabolismo. Para saber mais sobre este assunto leia o artigo Stress & Necessidade de "doces".
   Solução: Tem de "abrandar" o ritmo, descansar, dormir mais horas e ter mais tempo para si. Sem dormir não há emagrecimento. 



5. Alteração do comportamento alimentar

   Mesmo quando é acompanhado por um dietista, é normal que o seu comportamento alimentar mude ao longo do tempo.
Fonte
   No início a motivação para a perda de peso está no auge. Esforçamo-nos o máximo, evitamos situações difíceis com exposição a alimentos, praticamos mais exercício... No fundo, cumprimos melhor o plano alimentar.
   Com o passar do tempo, já nos sentimos melhor com o peso perdido, as roupas já ficam largas, o espelho sorri! Saímos mais, convivemos, queremos mostrar os nossos resultados... já não vamos tantas vezes ao ginásio (por mil razões)... e até já nos permitimos "aquele miminho" que, por tanto, tempo rejeitámos!
   Resultado: Tem menos peso a perder, há maior adaptação metabólica, está menos ativo e faz mais erros alimentares, então o peso vai teimar em não descer, ou fazê-lo lentamente.
    Solução: Em vez de desistir e culpar o seu corpo, o plano que está a seguir, as hormonas, a dietista... faça uma análise e seja mais exigente consigo próprio. Não quer dizer que adote de novo o comportamento alimentar inicial (mais restritivo), mas pondere melhor os dias com "exceção" e sobretudo aumente o exercício (em vez de diminuir). Para saber mais sobre este assunto leia Hábitos Alimentares & Comportamento Alimentar.


Em conclusão...
   Muitas vezes culpamos o mundo, queixamo-nos da nossa "pouca sorte", do péssimo metabolismo, da dietista que não nos prescreveu o plano adequado... Analise bem e pondere todos os fatores. Por vezes a solução é a mais simples, como uma ida ao ginásio e uma boa noite de sono ☺

Por Dietista Catarina Félix e Cachão

15 de Julho de 2014

13. Receita da Semana - Refeições para praia

Fonte
    Como vai caro leitor?

   Estamos oficialmente a iniciar a época das férias de verão. É uma fase onde descansamos, relaxamos, passeamos, apanhamos banhos de sol... enfim, uma fase de reposição de energia e por isso, de mudança de hábitos alimentares.

    Os nossos dias são diferentes, então é normal que tenha de adaptar os seus hábitos alimentares. Porém, férias de trabalho não significa férias dos bons hábitos. Aliás, pode até aproveitar para se iniciar/ reforçar a prática desportiva (ex. nadar, caminhar correr, andar de bicicleta), preferencialmente ao ar livre. Se gostar é muito provável que continue após as férias.

    Também a alimentação sofre uma adaptação de horários. Desde logo porque não acordamos tão cedo e, normalmente, nos deitamos mais tarde

   Já anteriormente tinha escrito sobre este assunto. Veja os artigos:
    Hoje este artigo destina-se apenas a dar-lhe inspiração para fazer refeições rápidas e práticas para a praia ou outra situação onde se pretenda ter uma refeição leve e saudável:


1. Tortilha de ervas aromáticas

Ingredientes:
Fonte
  • 6 ovos
  • 200 g de cogumelos laminados
  • 3 colheres (de sopa) de azeite
  • 1 colher (de sopa) de salsa picada 
  • 1 colher (de sopa) de cerefólio picado
  • 1 colhor (de sopa) de estragão picado
  • 1 colher (de sopa) de cebolinho picado
  • sal e pimenta
  • 1 fio de leite magro

Preparação:
1. Numa taça, mexa os ovos, junte o fio de leite magro e tempere com um pouco de sal e pimenta. Junte as ervas aromáticas picadas e os cogumelos.
2. Aqueça o azeite numa frigideira durante dois minutos, rodando-a para que o azeite cubra bem toda superfície, e junte o preparado de ovos. Deixe cozinhar até adquirir um tom dourado. Sirva enrolada (como na fotografia).

A responsabilidade editorial desta informação é da revista



2. Laços com beringela e feijão


Ingredientes
Fonte
  • 200 g de massa de laços coloridos
  • 1 beringela
  • 500 g de tomate cereja
  • 4 talos de aipo
  • 50 g de feijão verde
  • 1 cebola
  • 2 dentes de alho
  • 50 g de azeitonas pretas sem caroço
  • 2 colheres (sopa) de vinagre de sidra
  • 1 colher (sopa) de manjericão fresco
  • folhas de manjericão
  • sal e pimenta preta

Preparação
1. Corte as beringelas em pedaços e coloque-as num escorredor. Polvilhe com sal e deixe-as repousar durante 20 minutos. Lave-as, seque-as e cozinhe-as numa frigideira para grelhar durante 5 minutos, virando-as até ficarem douradas.
2. Num tacho junte a cebola cortada às rodelas e o alho picado. Deixe cozinhar durante 2–3 minutos e acrescente o tomate, o vinagre, o aipo e o feijão verde cortado em pedaços. Coza durante 20 minutos, mexendo de vez em quando.
3. Junte a beringela, as azeitonas cortadas ao meio e o manjericão picado. Tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar mais 10 minutos.
4. Entretanto, coza a massa em água com sal durante 6-8 minutos, até ficar al dente. Escorra e junte ao preparado anterior. Misture tudo bem e sirva enfeitado com as folhas de manjericão.

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3. Salada mediterrânica


Ingredientes (4 pessoas) 
Fonte
  • 2 latas de atum
  • 200 g tomate chucha
  • 20 g manjericão (folha)
  • 1 ramo de salsa
  • 200 g massa fusili
  • 100 g alfaces novas
  • 10 g alcaparras
  • Azeite
  • Sal e pimenta

Preparação
1. Coza o fusili em água e sal. Corte o tomate em rodelas, escolha as folhas de manjericão e uns raminhos de salsa.
2. Depois de cozida e escorrida a massa, volte a pôr na panela e misture as alcaparras, o azeite, o sal e a pimenta, envolva os ingredientes todos.
3. Numa travessa, misture as alfaces, espalhe o preparado da massa e finalize com o atum. Rectifique os temperos e sirva. Bom proveito!

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4. Croquetes de verduras


Ingredientes (para 2 pessoas)
Fonte
  • 200 g de cogumelos
  • 1 pimento verde
  • 1 cenoura
  • 1 ramo de aipo tenro (talo e folhas)
  • 1 cebola pequena
  • 1 dente de alho
  • 2 ovos
  • farinha integral
  • 4 colheres (sopa) de azeite
  • noz moscada (opcional)
  • 1 colher (sopa) de salsa
  • sal aromatizado com ervas

Preparação
1. Descasque a cenoura, a cebola e o alho e desfie o talo do aipo. Lave bem o aipo, os cogumelos e o pimento. Triture tudo na picadora.
2. Cozinhe a pasta de legumes preparada anteriormente durante sete minutos numa frigideira, com duas colheres de azeite e salsa. Retire do lume, tempere com sal e noz moscada, e deixe arrefecer.
3. Bata os ovos numa tigela e junte-os ao preparado anterior. Com a ajuda de duas colheres de madeira, forme bolas, passe-as por farinha e doure-as em azeite quente.

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Fonte
5. Salada de abacate

Ingredientes (para 6 pessoas)

  • ½ alface verde
  • ½ alface roxa
  • 500 g de gambas
  • 2 abacates médios
  • 1 laranja
  • ½ melão
  • 2 colheres (sopa) de azeite
  • 2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
  • 4 colheres (sopa) de molho de iogurte caseiro

Preparação
1. Coza as gambas e arrefeça-as em água com gelo. Retire as cabeças e descasque as caudas. Lave as alfaces, escorra-as bem e parta as folhas em pedaços com as mãos. Misture os dois tipos.
2. Descasque os abacates, retire os caroços e corte-os em fatias grossas. Descasque a laranja e divida-a em gomos. Descasque o melão, deite fora as sementes e corte-o em cubos ou em fatias.
3. Faça a salada começando por uma base de alface, previamente temperada com azeite e vinagre. Junte depois as fatias de abacate, os gomos de laranja, os pedaços de melão e as gambas.
4. Para finalizar, enfeite com o molho de iogurte e, se gostar, acrescente ervas aromáticas a gosto. Sirva de imediato.

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6. Salada de acelgas, delícias do mar e manga


Ingredientes (para 4 pessoas)
Fonte
  • 1 embalagem de acelgas picadas finamente
  • 300 g de cogumelos frescos fatiados
  • 200 g de delícias do mar desfiadas
  • 1 manga e ½ em cubos pequenos
  • 100 g de azeitonas verdes fatiadas
  • 2 tomates picados
  • 100 g de ananás em pequenos pedaços
  • 2 colheres (sopa) de mostarda de Dijon
  • sal e pimenta
  • 3 colheres (sopa) de azeite
  • 2 colheres (sopa) de molho inglês
  • ½ chávena (chá) de cebola picada
Preparação
1. Comece por preparar o molho. Junte a mostarda com o azeite, o molho inglês e a cebola picada. Tempere com sal e pimenta, misture no liquidificador e reserve.
2. Misture as acelgas com os cogumelos, as delícias do mar, a manga, as azeitonas, o tomate picado e o ananás. Regue com o molho de mostarda e sirva.

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7. Torta de espinafres


Ingredientes
  • 400 g de espinafres
  • Escarola, espargos e tomates cherry q.b.
  • 4 ovos
  • 2 e ½ copos de leite magro
  • Passas, pinhões, azeite, alfavaca e orégãos q.b.
  • Flores de cebolinho (opcional)
  • Sal q.b.
Fonte

Para a vinagreta de mel e mostarda
  • 1 cebola pequena
  • 1 colher de sopa de mostarda de Dijon
  • 1 colher pequena de mel
  • 2 colheres de sopa de vinagre
  • 5 colheres de sobremesa de azeite
  • Pimenta e sal q.b.

Preparação
1. Coza os espinafres e triture-os com o leite e os ovos. Coe, junte um punhado de passas e pinhões e coza tudo em banho-maria numa forma rectangular, durante 20 minutos a 160º até coalhar.
2. Deixe arrefecer no frigorifico durante algumas horas e corte em quatro fatias, pondo em cada um deles as folhas de escarola, tomates cherry, as ervas e os espargos.
3. Prepare a vinagreta: junte a cebola picada com a mostarda, o vinagre e o mel. Acrescente, pouco a pouco, o azeite e tempere com sal e pimenta.

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8. Wrap/ roll 
  Esta é uma opção saudável à tradicional sanduiche. Os wraps têm como principais ingredientes a farinha de


trigo e o ovo. Pode comprá-los já feitos ou cozinhá-los em casa, personalizando com ervas aromáticas e sementes.
   O conteúdo do wrap pode ser variado, desde vegetais, frutas, carne/peixe, ovo, conservas de peixe, fiambre, queijos brancos etc. Cuidado com os molhos, pode optar por um molho de iogurte caseiro.


9. Fruta fresca
   Para os lanches opte por fruta fresca, preferencialmente fruta de época que está adequada às nossas necessidades nutricionais, contém água e vitaminas que protegem a pele (ver artigo sobre nutrição da pele). Evite os batidos e sumos de fruta, pois contêm maior concentração de açúcar e são absorvidos mais rapidamente (ver artigo Saciedade & Mastigação - sumos detox).
 
   Pode ainda levar alguns snacks e aperitivos saudáveis (veja o artigo aqui).


10. Barras substitutas de refeição
  Os substitutos de refeição existem sob várias fórmulas: batidos, sumos, mousses, barras. No meu entender, as barras são as que conferem maior saciedade, por serem mastigáveis, desde que ingeridas com uma bebida (água, chá, café, tisana...).
  Quando escolhemos uma barra para substituir uma refeição há que ter em conta a relação entre a proteína e o açúcar. Neste sentido, aquelas que uso e recomendo são as da marca Atkins (60g), encontradas em qualquer surperfície comercial, na área dietética.
Custo aproximado por barra 2€

    Não poderia deixar de recomendar o uso de uma boa marmita e de um saco térmico (geleira) que acondicione devidamente os alimentos. Para além disso, faça-se sempre acompanhar por uma garrafa de água ou outro líquido hidratante (sem açúcar). 

   Este verão mantenha-se saudável e afaste-se da monotonia das sanduíches! Boas férias.

24 de Junho de 2014

10 alimentos que não são assim tão "saudáveis"

Como vai caro leitor?

    Hoje o artigo é sobre alimentos que são potencialmente perigosos para a saúde e que passam muitas vezes por "saudáveis" ou inofensivos.
   Quando pensamos em alimentos que fazem mal à saúde de imediato nos lembramos de fritos, salgados, bolos e doces no geral. Contudo, existem alimentos que passam despercebidos e deveriam ser incluídos nesta lista, ou por terem pouco valor nutricional ou por terem substâncias que em excesso são potencialmente nocivas. Vamos ver alguns exemplos:


1. Bolachas
Fonte
  Se é seguidor do blogue já deve saber qual a minha posição em relação às bolachas.
   Não é por acaso que as palavras "bolo" e "bolacha" são da mesma família. E para além de terem as três primeiras letras em comum, têm também a base dos seus ingredientes: farinha, fermento, gordura vegetal e açúcar.
    Por exemplo, uma bolacha Maria tem farinha de trigo refinada, margarina, açúcar, sal, fermento e aditivos vastos. Pesa 5g e tem 22kcal; 0,4g proteína; 0,6g gordura; 3,6g hidratos de carbono; 1g açúcar;0,1g fibra. Em termos de vitaminas e minerais, são quase inexistentes. E o seu índice glicémico (velocidade de digestão e absorção do açúcar para o sangue) é elevado! Então qual é a vantagem para a saúde de comer bolachas? Mesmo as mais simples, como as Maria? Na minha opinião como dietista, nenhuma.
    Em vez de bolachas devemos preferir fontes de cereais de lenta absorção como o pão e os muesli sem açúcar.



2. Barritas de cereais
   Barritas de cereais... o nome quase nos parece sinónimo de saúde. Mas não é bem assim!
   De facto as barras de cereais são uma mistura de cereais mais ou menos integrais com xarope de açúcar. J
   Por exemplo, uma barra de cereais de frutos vermelhos cuja marca está associada à "perda de peso" apresentada por barra (23g): 92kcal; 6,1g de açúcar; apenas 1 grama de fibra; 1,7g de gorduras! Ou seja em 23g (peso da barrita), 8g (1/3) são nutrientes que prejudicam a nossa saúde.
  Já leu a lista de ingredientes de uma barrita de cereais? Vem numas letras minúsculas e é qualquer coisa assustadora como isto:

«ingredientes de barra de cereais light com morango e chocolate:
Fonte
Glicose - Flocos multicereais - Farinha de Arroz - Milho - Farinha de trigo com ferro e ácido fólico - Cevada - Aveia - Açúcar - Maltodextrina - Extrato de malte - Sal cloreto de sódio - Gordura de palma - Corante Carmin - Corante Urucum - Carbonato de cálcio - Estabilizante fosfato dissódico - Chocolate ao leite - Gordura vegetal - Cacau em pó - Soro de leite parcialmente desmineralizado - Leite em pó integral - Massa de cacau - Leite em pó desnatado - Lecitina de soja 322 - Ácido Ricinoléico - Poliglicerol - Aromatizante - Açúcar Invertido - Morango - Cassis - Cenoura - Óleo de milho - Corante Betacaroteno - Glúten - Traços de castanha do pará - Traços de castanha de cajú - Traços de amêndoas»

    Como é que se junta tanta coisa em 20g? A maior parte são aditivos alimentares (E's). Lembre-se que a lista de ingredientes aparece sempre organizada do em maior quantidade, para o menor. Qual é o primeiro ingrediente? Glicose, que é um tipo de açúcar.
  Conclusão, estas são também um alimento a evitar, sendo iguais ou piores para a saúde do que as bolachas. Infelizmente, que eu conheça, ainda não existe nenhuma marca no mercado de barras saudáveis.
   Ainda assim, existe uma marca de fabrico caseiro que apenas utiliza mel, sem qualquer aditivo alimentar! Aconselho-o a visitar o site da Doce Papoila.


3. Flocos de pequeno-almoço
   Não queria estar a repetir-me, mas vai ter de acontecer. 
  Existem várias marcas de flocos que anunciam ajudar a controlar ou perder peso, perder barriga, etc. Porém, sinceramente, com aquela composição nutricional eu duvido. 
   Veja bem a composição nutricional de uma conhecida marca:
  • Porção recomendada 30g (pouco mais do que uma barrita) - 155kcal; 7g proteína; 11g de açúcar; 0,5g de gordura; 1,8g de fibra.  
Fonte
    Mais uma vez temos um produto onde 1 terço dos nutrientes são nocivos à saúde. O problema é que, sendo realista, ninguém fica saciado apenas com 30g de cereais. E como nos "dizem" que ajuda a perder a barriga, até achamos que podemos comer à vontade. 
    Ou seja, também este é um produto de baixo valor nutricional, de alta densidade energética e de rápida digestão e absorção. Volto a concluir que o pão é a melhor opção. Como alternativas temos os grãos de cereais puros ou tostados, como a aveia, o trigo, o centeio, a cevada, etc. Pode cozê-los em água e casca de limão (cerca de 30g em cru), adicionando no fim, canela e sementes inteiras ou nozes, são uma delicia. Recomendo ainda uma marca de muesli sem açúcar existente no mercado: Alpen (azul).


   Pode também fazer o seu próprio muesli sem açúcar, veja a seguinte imagem:
    Sugiro que escolha 2 a 3 cereais, 1 semente e 1 fruto oleaginoso.



4. Chá verde
Fonte
  O chá verde suscita opiniões diversas no público e mesmo na ciência. Devido às suas propriedades estimulantes tem sido publicitado como uma ajuda ao emagrecimento. Em oposição, já existem diversas correntes "healthy" totalmente anti-chá verde! Em que é que ficamos?
  É inegável que o chá verde contém catequinas com um forte potencial antioxidante. Contudo, estas são substâncias da família da cafeína, tendo em comum os mesmos efeitos secundários, como:
  •    Taquicardia, insónia, ansiedade, irritação da mucosa gástrica, pode interagir com medicamentos, causar hipertensão e provocar retenção de líquidos. 
   Se o chá verde emagrecesse, assim como o café, não haveria tanta obesidade no mundo. A única propriedade cientificamente comprovada do chá verde é a sua capacidade antioxidante, principalmente a nível da proteção cardiovascular.
    De facto o chá verde aumenta o ritmo cardíaco e pode-se considerar um termogénico (substância que aumenta o gasto energético celular). Contudo, este aumento é residual e não observado em todas as pessoas, com a mesma dose de chá.

   Em conclusão, prefira a água pura ao longo do dia e beba chás estimulantes com moderação.



5. Frutos oleaginosos
Fonte
   Os frutos secos e oleaginosos, dos quais são exemplos, a noz, caju, amêndoa, pinhão, avelã, entre outros, são considerados saudáveis. E são-no de facto. A questão é que rapidamente se tornam "menos saudáveis" quando ingeridos em excesso. Considera-se que um adulto possa comer até 30g destes frutos/ dia.
   Estes são ricos em gorduras insaturadas que protegem o coração, ajudando a regular os níveis de colesterol e a glicémia, entre outros benefícios. 
   Então qual é o problema? é que estes são compostos por cerca de 70% de gordura, o que lhes atribui cerca de 700kcal/100g. Ou seja, é fácil distrair-se e consumir demasiadas calorias e gordura num dado momento, passando assim ao efeito oposto. Em excesso a gordura é transformada em "gordura humana" e armazenada, para além de estimular a produção de colesterol.
   Por outro lado, existe mais uma questão a salientar: quando são tostados, as suas gorduras alteram-se e oxida-se a vitamina E, perdendo-se o efeito positivo para a saúde. A mesma coisa quando as amêndoas são descascadas, perde-se a fibra e diversos micronutrientes. Já para não falar dos fritos, com piri-piri, etc..



6. Sumos de Fruta
Fonte
    Mesmo que seja um sumo natural de fruta, este não é assim tão saudável como pensamos. E porquê?
    Quando fazemos um sumo estamos a escorrer a água, na qual está dissolvido o açúcar e poucas vitaminas. Ou seja, a fibra e a maior parte dos micronutrientes são perdidos. Para além disso, com o processo de extração do sumo, a maior parte da vitaminas e minerais antioxidantes perdem-se, pelo efeito da luz, do corte ou da temperatura. Resultado: Está a beber água com açúcar.
   Os sumos são uma bebida de rápida absorção e que em nada beneficiam a nossa saúde. Se gostar de alimentos líquidos, prefira um batido, onde se usa a fruta inteira, misturando de preferência com vegetais. Veja este artigo: Saciedade & Mastigação (batidos detox).



7. Iogurtes
Fonte
   Fomos habituados a pensar que os iogurtes são alimentos saudáveis e pouco calóricos, sendo ótimos substitutos do leite. Mas, será que é mesmo assim? A resposta é depende.
   Existem milhares de tipos de iogurte, tendo como ingredientes base o leite e os fermentos lácteos. Porém, a estes, são adicionados outros ingredientes que tornam alguns iogurtes autênticas "bombas calóricas".
   Por exemplo o famoso e saboroso iogurte grego. Tem entre 150 e 180 kcal/100g, das quais 15% são açúcar e 10% são gordura. Já imaginou consumir 2 "pacotinhos" de açúcar do café num único iogurte?
   É muito importante que saiba escolher iogurtes sem açúcar adicionado e com pouca gordura. Para saber mais sobre este assunto veja o artigo Os iogurtes são todos iguais?
   Também o consumo de leite tem levantado controvérsia. Pare ler sobre o assunto veja este artigo.





8. Carne e peixe
Escala de pH dos alimentos (fonte)
   Fazem parte da pirâmide alimentar, mas devem ser consumidos com moderação. A Organização Mundial de Saúde recomenda que um adulto saudável ingira 0,8g de proteína/kg de peso. Ou seja um homem adulto com 70kg deveria comer  56g de proteína por dia. Porém, estima-se que o consumo real de proteína ronde os 2g/kg de peso.
   A proteína é um nutriente essencial à vida, principalmente à construção dos tecidos e renovação celular. Contudo, em excesso, causa um ambiente acidificante no nosso organismo, que predispõe a diversas doenças. Leia este artigo da Sapo Saúde.
   Ainda assim, as proteínas raramente estão sozinhas nos alimentos, associando-se maioritariamente a gorduras. No caso dos peixes gorduras saudáveis (polinsaturadas) e no caso das carnes gorduras más (saturadas). Leia Os segredos das gorduras alimentares. 
   No caso das carnes as mais saudáveis são de facto as de aves e de coelho. Já a carne de vaca e de porco são ricas em gordura saturada e homocisteína (substância pró-cancerígena e que promove as doenças cardiovasculares).
   Para os peixes devemos ter o cuidado de escolher peixe de mar ou de rio e evitar o de viveiro. Não obstante, devemos comer peixe gordo no máximo 3 vezes por semana, para diminuir a exposição a metais pesados (ex. chumbo, mercúrio).
   Ao contrário do que se possa pensar, o ovo é uma ótima e saudável fonte de proteína.



9. Vegetais e produtos hortícolas
    Neste caso é difícil dizer que os vegetais prejudicam a saúde, mesmo em excesso. A não ser que haja uma intolerância específica ou doença intestinal (ex. colite).
    Então qual o perigo destes alimentos tão ricos em água, fibra, vitaminas e minerais? 
    Resposta: A contaminação por xenobióticos. Com a massificação da produção, tem-se aumentado o uso de produtos químicos de variável toxicidade. A verdade é que a alface verde e reluzente que compramos no hipermercado não é mais do que um produto do uso dessas substâncias. 
    E qual o perigo para a saúde das mesmas? São vários. Desde desmineralização óssea, pró-cancerígenos, hiperatividade, alterações hormonais variadas, etc. 
    O conselho é: como nem todos podemos ter a nossa horta (use a sua varanda!), procure feiras, vendedores locais, mercados pequenos e lojas de produtos biológicos. E não compre pelo aspeto! Os maiores e com melhor aspeto são sempre os mais tóxicos. 
   Veja esta lista de hortícolas com mais agrotóxicos no Brasil:
Fonte

 10. Produtos de soja ou vegetais
    Ser "de soja" não é sinónimo de saudável. 
Fonte
    Os produtos de soja têm apenas uma origem vegetal, contendo menos gorduras saturadas e mais insaturadas. Isso não significa que não tenham açúcar adicionado e bastante gordura. Por exemplo, os iogurtes de soja têm cerca de 15g de açúcar/ 100g! Relembro o artigo sobre iogurtes.
   O mesmo se passa com as margarinas. O facto de ser vegetal, não significa que tenha menos calorias do que uma manteiga, apenas tem uma origem diferente. Muitas vezes as margarinas são mais calóricas e têm gorduras de pior qualidade para a saúde (as gorduras trans). Para conhecer melhor as diferenças entre os cremes para barrar vegetais e animais, leia este artigo: Manteigas, Margarinas & Alternativas.



    
 Em conclusão...
    Seja crítico e leia sempre o rótulo. Principalmente a lista de ingredientes, se esta for muito extensa e tiver muitos E's, então esse é um alimento a evitar. Mais! Se tiver oportunidade compare as informações nutricionais de vários produtos para fazer sempre a melhor escolha para a sua saúde. Sobretudo não acredite em tudo o que a publicidade lhe transmite! Recomendo o artigo Publicidade & Rotulagem. 
   Num mundo em que nem tudo é o que parece, até os alimentos, mantenha o seu sentido crítico apurado. Se desconfia de determinado alimento, pergunte ao seu dietista.



Por Dietista Catarina Félix e Cachão